Minha viagem de 30 dias pela Europa não tem tido objetivos muito claros, e tampouco grandes motivações além da coragem de raspar minha reserva de emergência e aceitar multiplicar tudo por R$ 7,00, não sei muito bem o que fazer aqui.
Fora um ou dois destinos planejados, o resto simplesmente tem acontecido. Na realidade, percebi que essa viagem é menos sobre os lugares para onde vou ou museus que visito, e mais sobre revelar que, se eu quiser realmente viver, preciso abandonar a segurança que já conheço.
Não tinha me dado conta do quanto tenho vivido em uma zona de conforto e de como meu vício em trabalho é só um sintoma dessa busca constante por desafios, desafios que, até agora, se limitaram ao âmbito profissional. Talvez por falta de referência, ou por nunca ter ousado olhar para além do que sou ou do que sei fazer, acabei acreditando que a vida se resumia a trabalho, projetos e planilhas. Acreditei naquilo que me falaram que era o possível para mim.
Eu acreditava que essa viagem me tornaria maior, mais legal, mais interessante. Mas, na prática, o efeito tem sido o contrário. Tem sido um grande exercício de controle do ego conhecer tanta gente que, aos 30, já experimentou tanto, viveu de tudo, se despiu de preconceitos e se refez tantas vezes, me fazendo enxergar que não sou tão especial assim, na verdade, sou mais comum do que imaginei.
Ao longo dessa viagem, perdi a conta de quantas vezes me senti burra. Precisei treinar meu cérebro para lidar com o fato de que não estou nem perto de ser a mais inteligente aqui. Na verdade, eu errei todos os portões de embarque de todos os aeroportos. Além disso, existe uma barreira linguística enorme que não permite que eu me expresse da forma como eu quero, o que tem feito com que eu passe mais tempo em silêncio, guardando palavras que eu gostaria de ter dito.
Tenho ficado em silêncio, ouvindo, aprendendo. Fazia tempo que não me sentia tão vulnerável, tão insegura. Às vezes tenho a impressão de que tenho vivido numa espécie de fazenda no interior de Santa Catarina, cuidando de gado, isolada, sem internet. É meio deprimente às vezes, porque enfrentar minhas certezas, reconhecer minhas limitações e encarar a pequenez da minha existência no mundo me assusta. Tira a segurança, a autoconfiança e, ao mesmo tempo, me devolve uma estranha motivação.
Embora já esteja me acostumando
com os aeroportos, ícones do Google Maps e linhas de metrô, o medo ainda se faz
presente. Ele me obriga a exercitar a coragem com frequência, mas também provoca
em mim a vontade de voltar para casa, para a rotina que conheço, para o abraço
da minha zona de conforto, para o cobertor com cheiro de Rosalva.
Anseio a volta para casa, mas também anseio conhecer mais do mundo.
Acho que preciso ser mais paciente comigo mesma.
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