Sempre gostei de fazer as coisas sozinhas, mas não imaginaria que me apaixonaria tanto pela minha própria companhia, ao ponto de pensar que talvez jamais consiga me dividir com outra pessoa.
Quando falaram para mim que eu deveria aproveitar essa fase da minha vida para viver um pouco a solitude, eu não sei ao certo se as pessoas sabiam de fato o que estavam aconselhando.
A verdade é que a maioria das pessoas tem dificuldade de conviver com elas mesmas, algumas precisam ocupar todo o espaço de solidão com alguém ou alguma coisa. Um novo romance, uma festa na sexta-feira a noite ou 5 novos hobbies. E tem até quem aceite viver com tão pouco por achar que pior mesmo é viver só.
Já fui tudo isso.
Tive medo da solidão quando percebi que numa quinta-feira passei o dia anterior inteiro sem falar com ninguém. Estou desconsiderando os diálogos que tive com a Rosalva (minha cachorra), porque ainda tenho um senso do limite da loucura.
Eu precisei aceitar que estava sozinha da companhia física de outra pessoa, e na minha nova rotina não teria pra quem contar as fofocas do trabalho, comer um sushi no meio da semana ou ser abraçada na madrugada depois de um pesadelo.
Apesar de ser um processo doloroso no começo, você percebe que mais cedo ou mais tarde precisará aprender a gostar de viver sozinha, porque nessa vida, talvez seja você a última a partir.
Com o tempo, aprendi a não preencher o silêncio o tempo todo. As opiniões sobre os acontecimentos do meu dia a dia passaram a ser somente minhas, já que agora eu tinha mais tempo pra elaborar situações que aconteciam e entendê-las sob o meu olhar e não o de outra pessoa. Descobri nesse processo que na realidade julgo bem menos agora do que antes. Também descobri que prefiro ir ao cinema sozinha, assim não preciso ouvir comentários sobre o roteiro do filme no meio da sessão. Tenho passeado muito com a Rosalva, as vezes vamos a praia e ficamos sentadas por horas sozinhas.
Tenho gostado de ver minhas plantas pegar sol de tarde e tenho tido muito mais sucesso em garantir a longevidade delas. Também descobri o quanto é bom ficar sozinha no domingo a noite, o que antes eu achava o pior momento da minha semana, passou a ser o dia de usar minha máscara de skin care e fazer minhas unhas.
Pra falar a verdade, tenho até inventado compromissos para negar convites de amigos para sair, só pra poder passar mais tempo comigo.
Mas pra minha sorte, a solidão que vivencio hoje é uma decisão minha, e é por isso que é suportável e tão boa, porque posso finalizá-la quando quiser, pois tenho família e amigos pra quem sempre posso voltar.
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