Conversa, flores, seu moço.
Procurar por palavras para formar uma frase não era uma coisa que Adèle gostava de fazer, seria esse o motivo, creio eu, que fazia ela não dizer nada mais extenso ao moço da padaria que:
-"Obrigada por trazer os pães"
Adèle definitivamente não se interessava por conversas. Na verdade, Adèle não tinha nenhuma ideia interessante de como começar uma. Mas isso não era uma tarefa só dela, pois se ele quisesse realmente conversar, teria dito alguma coisa melhor que:
- "De nada"
O moço da padaria parecia tão insignificante quanto os chapéus de Adèle.
Como continuar essa história sem o moço da padaria? Engraçada essa pergunta, porque as pessoas costumam achar que suas vidas só fazem sentido quando existe dentro delas um moço da padaria, um moço do banco, talvez o moço do restaurante...
O moço da padaria, era só um moço da padaria.
Já comentei que Adèle gostava de flores?
Ah sim! Ela se interessava por flores. Margaridas eram suas preferidas. Lembro de ouvir várias vezes Adèle conversando com elas. Falava com flores, mas não falava com 'moços'. Acho que ela tinha medo de conversar com eles, receber uma resposta e não saber mais nenhuma pergunta é assustador.
Como Adèle resolveu abandonar a ideia de ter uma conversa produtiva com o moço da padaria, parou de ir a esquina, não ia mais á padaria e passou a fazer seus próprios pães.
Passou a se interessar pelos pães, abriu uma padaria e se interessou pelo moço que pedia a ela que entregasse seu pão. Ele era seu moço por inteiro.
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